8 de janeiro 2009
SÁbado 24 de Janeiro,
a CCPF dedica um dia Às associaÇÕes


O dia 24 de Janeiro foi definido pela CCPF como um dia bastante importante pois englobava três realidades diferentes para as associações franco-portuguesas : uma homenagem a S.Exa o Senhor Embaixador, a reunião do Conselho de Administração da CCPF e a cerimónia de encerramento do Festival Todos ao Palco.

A Coordenação das Colectividades Portuguesas de França organizou Sábado 24 de Janeiro, uma cerimónia em honra do Sr Embaixador António Monteiro, na altura da despedida das suas funções na Embaixada de Portugal em França.

A recepção teve lugar no salão Jean-Paul Laurens na Câmara Municipal de Paris Com a presença de 62 associações, José Cardina, porta voz da CCPF seguido de Hermano Sanches Ruivo agradeceram o Doutor António Monteiro pelo seu trabalho e empenho para com as associações portuguesas e lusófonas em França (cópia dos discursos em anexo).

Em homenagem das associações, Marie-Hélène Euvrard, vice-presidente, entregou em seguida ao Senhor Embaixador uma medalha da Monnaie de Paris, representando todas as regiões de França,

Pierre Schapira, Vereador da Câmara de Paris, Responsável das Relações Internacionais, dos Assuntos Europeus e pela Francofonia sublinhou as boas relações entre a Cidade de Paris e a Embaixada Portuguesa, com a organização de eventos consequentes como a exposição sobre os azulejos, as homenagens à comunidade Portuguesa aquando das comemorações do 30° aniversário do 25 de Abril ou da recepção das emissões de gala da RTP, Portugal no Coração.

Dirigentes associativos das mais distintas associações (Chama – Strasbourg, Association Portugaise Culturelle de Neuilly sur Seine, Association France Timor Leste, ADEPBA – Paris, etc.) sucederam-se para agradecer e oferecer algumas lembranças ao Senhor Embaixador, o qual agradeceu os testemunhos de amizade e após fazer um resumo ráido da sua açcão acabou a sua intervenção com uma mensagem de esperança para o futuro confirmando que continuará a dar todo o seu apoio à comunidade Portuguesa de França.

Posteriormente, a centena de pessoas presentes, responsáveis associativos, oficiais e jornalistas foram convidados a um cocktail.

Durante o dia, o Conselho de Administração da CCPF reuniu-se. Os 12 Administradores aprovaram nomeadamente:
- O Relatório Financeiro 2008 ao 31 de Dezembro,
- O Plano de Actividades e a Agenda 2009 (Encontro Europeu de Jovens Lusodescendentes em Agosto, Encontro Nacional das Associações nos 17 e 18 de Outubro, Festival Todos ao Palco do 18 de Outubro ate fim de Dezembro, etc.),
- O organigrama e a repartição dos departamentos e acções da CCPF,
- A nomeação de 5 responsáveis regionais, intermediários locais da CCPF, para com as associações e as autoridades Francesas e Portuguesas. Três dos cinco responsáveis foram já nomeados,
- O envio de um correio ao Presidente da República Portuguesa pedindo a não promulgação do texto de lei que pretende acabar com o voto por correspondência para as Comunidades Portuguesas no estrangeiro. (documento em anexo).

À Noite, a CCPF organizou, em parceria com a Filarmónica Portuguesa de Paris e a Associação Portuguesa Cultural e Social de Pontault-Combault, uma representação da peça « Resistência », no teatro Passage vers les Etoiles em Paris. Uma centena de pessoas, dirigentes associativos, professores, estudantes e amantes de teatro, estiveram presentes para aplaudir a companhia de Pontault-Combault e assim encerrar a edição 2008 do Festival Todos ao Palco.

Susana Gandra, responsável do dossier Todos ao Palco apresentou o novo projecto para 2009. O dia culminou com um cocktail, servido aos espectadores no fim do espectáculo.

A CCPF agradece o apoio para este dia a: Mairie de Paris, DGACCP, Caixa Geral de Depósitos, Canelas e Delta Cafés.

Próximo Conselho de Administração, dia 16 de Maio em Paris.

Messagem de sentimentos :
A Direcção Nacional e o Conselho de Administração tomaram conhecimento do falecimento da mãe
de Elsa Godfrin, responsável da Associação de Oloron Sainte-Marie e um dos membros muito activos da CCPF desde a sua criação. A Direcção Nacional, o Conselho de Administração, a equipa e a rede associativa
da Coordenação associam-se à sua dor e apresentam os mais sinceros sentimentos à Senhora Elsa Godfrin
assim como a toda a sua família.



Documentos anexos

(Discurso de José Cardina)

Exmo. Sr Embaixador
Festejou quinta-feira passada 65 anos – Feliz Anniversário !
Outro aniversário a festejar.
Desde 2001 que anima e comanda a importante Embaixada de Portugal em França quase sem interrupção “pequena infidelidade em 2004 e 2005”
Sabemos tambêm que V.Exa é um dos melhores servidores da diplomacia portuguesa e ouso dizer um embaixador de todo o mundo lusófono.
Trabalhou, sem contar o tempo ao serviço de Portugal e dos portugueses em França.
Para nós, responsáveis das associações franco-portuguesas, ou administradores desta Coordenação Nacional, V.Exa fêz o que poucos embaixadores fizeram antes e nunca com esta força. Escutou-nos e visitou as nossas cidades, as nossas festas, os nossos concertos – eu mesmo posso testemunhar – as nossas semanas culturais ou as nossas actividades desportivas.
Estudou os nossos projectos e apoiou bastantes coisas que são importantes para nos : o ensino da língua Portuguesa, a defesa dos nossos direitos de utentes e cidadãos, esta cultura rica, popular, aberta aos outros e capaz de fazer as pessoas dansar, cantar e ser feliz.
V.Exa defendeu, bastantes vezes com as dificuldades que nós conhecemos, o apoio às nossas actividades mas tambêm o simples reconhecimento do nosso trabalho de mulheres e homens benevolos, por vezes tristes e com o sentimento de ter sido esquecidos.
Motivou-nos a todos a fazer melhor, a nos implicar na sociedade francesa e alguns dos nossos jovens quando vos escutam vêem em V.Exa uma imagem concreta do Portugal moderno.
Nos continuaremos aqui, e V.Exa, esteja onde estiver, continuara a escutar-nos e a ajudar-nos, porque tem esta missão no coração com honestidade e profissionalismo e a noção de amizade como nos, porque V.Exa é e sera sempre dos nossos.

OBRIGADO.


______________________________________________________________________________________________

(Discurso de Hermano Sanches Ruivo)

No momento em que acaba de arrumar as últimas peças da sua biblioteca, rica em volumes, pinturas, fotografias e recordações para partir de Paris em direçcão de outras funções ao serviço da República de Portugal e da diplomacia, lembro-me da sua bela sala na embaixada parisiense. Em oito anos entrei uma única vez mas ainda hoje é uma das minhas mais marcantes recordações do seu empenho por um país e um povo, que penso se aperceberá mais tarde a justeza da sua política e a lógica da sua estratégia em terras francesas. V.Exa falou onde outros simplesmente murmuraram, agiu onde outros simplesmente planearam, tentou conseguir onde outros simplesmente prometeram. Longe de todas as comparações e porque ninguêm é perfeito, reconhecemos V.Exa como um dos melhores diplomatas Portugueses actualmente em serviço.

Segundo o princípio que se conhece o que perdemos e não o que vamos ganhar, penso traduzir um sentimento partilhado pour uma maioria dos que pensam que a presença de Portugal em França conta, dizendo que V.Exa deu uma visibilidade ao nosso país que os franceses conhecem pouco. Algumas caricaturas desapareceram porque a sua « realpolitik » demonstrou com calma que o Portugal é muito mais complexo e rico que por vezes se pensa e tudo isso convidando diversas realidades que nunca tinham vindo, diplomatas bem entendido mas tambêm actores da sociedade civil, jornalistas e homens ou mulheres da imprensa, professores, empreiteiros, artistas, escritores, atletas ou ainda homens e mulheres políticos. Esses encontros, centenas de encontros fizeram passar uma mensagem que ultrapassa o simples quadro das instituições francesas para interessar tambêm as representações europeias representadas em Paris. A organização de uma reunião dos embaixadores dos países membros presentes em França, aquando da Presidência Portuguesa da União Europeia, prova o quanto o seu trabalho corresponde a un investimento favorável ao seu pais mas tambêm à construção no dia a dia de uma Europa concreta e forte.

Evidentemente foi no seio da Comunidade Portuguesa em França que o seu trabalho foi o mais difícil mas indispensável. é bem conhecido e segundo a expressão « santos da casa não fazem milagres », a desigualdade de estructuração desta comunidade franco-portuguesa, forte de um milhão de almas mas que deve ainda trabalhar o reforço de estructuras capazes de fazer trabalhar a variada rede (associações semelhantes à CCPF), Professores, empreiteiros, imprensa, classe política, artistas, atletas e instituições oficiais) nomeadamente no momento de açcões de promoção, de recenseamento ou simplesmente de entreajuda.
Esta desigualdade de estructuração travou obrigatoriamente uma açcão cujo objectivo é claro: transformar a imagem desta comunidade essencialmente ligada à imigração por uma imagem de homens e mulheres que trabalham em França e fortes de uma dupla cultura e de um estado de espírito capaz de participar ao desenvolvimento da França.

V.Exa desejou estructurar e em grande parte conseguiu. Assim a Câmara do Comércio e os encontros dos luso-eleitos serão claramente referências. Esses luso-eleitos, oriundos das associações que ouviram o seu apelo. Vejo outros aqui.
A título pessoal e sem mistério, V.Exa foi uma das três pessoas que mais me motivaram a continuar, a construir e a me investir. E agradável de o dizer aqui nesta casa onde um dos outros tambêm trabalha. E um dos seus amigos, eu sei, vai encontra-lo e é Bertrand Delanoé.


Muitos estão verdadeiramente tristes. Eu tambêm estou. O facto de conhecer e apreciar o trabalho do Senhor Embaixador que vai ocupar o seu lugar, Francisco Seixas da Costa, deixa-me, deixa-nos ao menos a esperança de uma continuidade.

Este testemunho não pretende ser melancólico mas simples e directo. E quando chegar a hora do relatório deve-se saber dizer: o trabalho foi feito e bem feito. Aos outros de fazer melhor.

Queira aceitar em nome do Conselho de Administração, da Direçcão Nacional, da CCPF e das associações Portuguesas e lusofonas este humilde testemunho que esperamos vos fazer recitar o verso de Fernando Carvalho no magnífico fado de Coimbra, Balada da despedida :

Quem me dera estar contente,
Enganar a minha dor,
Mas a saudade não mente,
Se é verdade no amor.


Bem haja, Obrigado
e boa viagem.



______________________________________________________________________________________________

Texto que sera enviado a sua Exa o Presidente da República Portuguesa Aníbal Cavaco Silva esta semana :
Exmo Senhor Presidente da Republica Portuguesa,

O Conselho de Administração da Coordenação das Colectividades Portuguesas de França (CCPF) reunido no dia 24 de Janeiro de 2009, na Câmara Municipal de Paris, apoia por unanimidade o pedido do Conselho permanente das Comunidades Portuguesas ao Exmo Senhor Presidente da República para que não seja promulgada a lei de voto presencial que põe fim ao voto por correspondência nas eleições legislativas dos portugueses residentes no estrangeiro.

Essa decisão, Senhor Presidente, seria contrária aos valores da República Portuguesa que garante o direito e o dever de todos os portugueses a participarem na escolha democrática e dos representantes da Nação.

Foi essa a bandeira de campanha do Senhor Presidente da República. Qualquer que seja o pretexto que afaste os portugueses residentes no estrangeiro das eleições seria um regresso ao passado e contrário aos valores do 25 de Abril que a Nação unanime decidiu enterrar para sempre.

Pelo Conselho de Administração da CCPF,
César PINHAL
Secretário Geral da CCPF